| Os 200 anos do Negro Lucas |
|
|
|
| Feira de Santana - História | |||
| Escrito por FRANKLIN MAXADO | |||
| Qua, 31 de Outubro de 2007 00:00 | |||
|
Um dos maiores bandidos do Brasil, Lucas da Feira, se fosse vivo, teria completado 200 anos no último dia 18. Durante todo este tempo, sua lenda cresceu e se discute hoje se merece uma estátua. Reivindicação de moradores do bairro da Pedra do Descanso, na entrada sul de Feira de Santana, segundo os jornais, o monumento encontra fortíssimos opositores. Entretanto, já existe um pavilhão no Museu Casa do Sertão que tem o nome de Lucas da Feira, proposta aprovada pelo professor (hoje vereador) Marialvo Barreto quando era do Conselho Administrativo da Uefs. O fato é que o nome Lucas de Feira sempre causa polêmica e maniqueísmo radicais: bandido, para uns, e herói, para outros. O seu lado de resistente cresce agora com os movimentos para elevação dos afrodescendentes. Alegam que Lucas foi vítima da sociedade branca e escravagista da época da colonização portuguesa. E que roubava e matava para se defender e ajudar seus irmãos de cor. Os que condenam o pintam com todas as cores de assassino frio, ladrão, estuprador, assaltante, perverso e outros adjetivos pomposos como convém serem citados em um júri popular. Da minha parte, não sou a favor nem contra. Não o acho nem bandido ou herói, apenas um vulto histórico marcante que merece ser discutido. Tem lances grandiosos, como morrer enforcado sem dizer quem o apadrinhava. Ou ter assumido todos os crimes a ele imputados, o que estudioso Marcos Pérsico acha que muitos roubavam, até policiais, se disfarçando em Lucas. O certo é que Feira de Santana é conhecida também por “Terra de Lucas”, querendo dizer em sentido direto ou figurado pátria de ladrões. De fato, entre a grande maioria de cidadãos trabalhadores e honestos, a Feira acoberta receptadores de roubos, acolhe traficantes e contrabandistas, guarda sonegadores e aventureiros, hospeda falsificadores e proxenetas, acoita assassinos e ladrões, principalmente gente fugida de outras plagas. Acrescente-se a isto que no Brasil, hoje, a moral certa é a de quem erra. Logo, uma figura como Lucas da Feira desperta admiradores entre o povo sofrido, ludibriado sempre por políticos gananciosos e prometedores com crimes acima da lei. Como um cangaceiro ou um Lampião, passa a ser idolatrado, mitificado, sem se ver o seu lado negativo. A cidade pernambucana de Serra Talhada conviveu muito tempo com o incômodo fato de ser terra natal de Lampião, homem que também foi vítima de arbitrariedades e decidiu fazer justiça pelas próprias mãos. Até que houve um júri cultural e a população pôde decidir se merecia ser condenado. Foi uma catarse coletiva. Absolveram Lampião por ser História e eu fui o advogado de defesa auxiliado pelo escritor paulista Antonio Amaury Correa de Araújo. Feira tem o mesmo problema com relação a Lucas. Talvez um júri popular resolvesse este problema de consciência coletiva. Muitos são peremptoriamente contra. Não sei por quê. Será que Lucas só merece acusações sem direito de defesa, praticamente como no seu julgamento real? Fonte: Jornal A Tarde Online.
Comentários (0)
Powered by !JoomlaComment 4.0 beta1
!joomlacomment 4.0 Copyright (C) 2009 Compojoom.com . All rights reserved."
|
É com pesar que leio essa notícia, po...
Obrigada por compartilhar dessa caus...
Muito bom o novo livro do weslley poe...
Parabéns pelo site!
Felicidades é o que desejo neste ano ...