| A Micareta no tempo |
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| Feira de Santana - História | |||
| Escrito por Adilson Simas | |||
| Sex, 08 de Janeiro de 2010 18:21 | |||
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Foto: Arquivo
"Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu"
Os engraxates, a mula de jeremias, as rainhas, o nascimento do Clube Cajueiro. O jornalista Adilson Simas faz um passeio pelas micaretas de outros tempos
FIM DA MICAREME
Em 1937 acontece a primeira micareta “substituindo a micareme - meia quaresma, em francês. Escolheu-se o nome micareta porque parecido com micareme e lembrando careta, coisa típica da festa (Folha do Norte)”. O nome micareta é sugerido pelo professor e jornalista Antonio Garcia, em artigo publicado na “Folha do Norte”. Eunice Alves Boaventura, a primeira rainha, é coroada pelo prefeito Heráclito de Carvalho.
DECADA DE TRINTA
Em 1938 a rainha Maria Zilda Carvalho desfila em carro alegórico. Nos clubes 25 de Março e Vitória, os associados cantam a mesma musica: “ô abre-alas, que eu quero passar, Eu sou da Lira não posso negar. Ô abre-alas. Que eu quero passar, Rosa de Ouro é que vai ganhar... Em 1939 o reinado é de Bernadeth Silva e “Jardineira” a musica mais cantada.
NOS ANOS QUARENTA
Em 1944 é fundado o Feira Tênis Clube e a partir da inauguração de sua sede própria no antigo Campo do Gado a micareta começa a se espalhar. Nas ruas, inesquecíveis rainhas como Célia Carvalho (1942), Doralisa Bastos (1947), Alzira Carneiro (1948) e Berlsahy Mascarenhas (1949), são delirantemente aplaudidas durante os préstitos.
MICARETA SÓ NA “25”
Em 1945 a micareta de rua deixa de ser realizada mais a Filarmônica 25 de Março anuncia a realização de quatro grandes bailes, prometendo inclusive “ligar ventiladores para maior conforte dos seus associados”. “Atire a primeira pedra”, “Dama das camélias”, “Está chegando a hora”, “Doido varrido”, são as preferidas dos foliões nos salões da filarmônica.
ENGRAXATES NA FOLIA
Em 1946 os engraxates de Feira criam a batucada “Amante da Folia”, que ao longo da Rua Direita divide os aplausos do público com a batucada “Estrela do Oriente”, organizada pelos moradores do subúrbio do Ponto Central.
A MULA DE JEREMIAS
Em 1947 o folião Jeremias faz sucesso desfilando montado numa mula manca, o bloco ‘Canto do Cancão’ revoluciona a cidade “com boa fuzarca” durante os quatro dias da festa, que acontece de 12 a 15 de abril. Em 1949 o Tênis Clube fez homenagem ao 4º centenário de fundação da Cidade de Salvador.
MICARETA ANOS 50
Em 1950, Edla Sméra é eleita a primeira rainha da década. Nos anos seguintes são coroadas, Aba Freitas (51), Maria Angélica Caribé (52), Avany Tavares Carneiro (53), Helenita Tavares (54), Déa Nogueira (55), Mar ia Vanilda Morais (56), Osvaldite Boaventura (57) Ruth Matos (58) e Valdeciulia de Jesus (59).
O TRIO DA CIDADE
Em 1954, surge na “Rua Direita” o caminhão de “seo” Péricles Soledade com nove músicos uniformizados, trazendo uma guitarra, um cavaquinho, um baixo, duas caixas, dois tambores e dois bombos. Era o trio elétrico Paturi, o primeiro da cidade, executando a marcha-rambo de Lamartine Babo: “O teu cabelo não nega, mulata, porque és multa na cor. Mas como a cor não pega mulata, Mulata eu quero o teu amor...
NASCE O CAJUEIRO
Em 1960, com reinado de Marita Magalhães, duas musicas tomam conta das ruas da cidade: “Me dá um dinheiro aí” e “Cacareco”. Mas o grande acontecimento da década, dando maior dimensão as micaretas seguintes foi a fundação do Clube de Campo Cajueiro. Revoltados com o resultado adverso das eleições do Feira Tênis Clube, o grupo derrotado resolve criar o novo clube.
O “SITIO” AVANÇA
Em 1961, no reinado de Telma Sampaio, outras vias publicas passam a integrar o roteiro do préstito. Foi uma década de rainhas inesquecíveis como Sônia Menezes (62) Rosalva Matos (63), Ana Maria Nascimento (65), Sonia Cerqueira (66), Alda Lima Coelho (67) e outras. Também de grandes sucessos como Velho gagá, A lua é dos namorados. Me dá um dinheiro aí, Se seu morrer amanhã...
O FLU NO PRÉSTITO
Em 1970, abrindo mais uma década, a grande novidade foi a presença no préstito de um carro alegórico homenageando o Fluminense, campeão baiano do ano anterior. Em 1971 a Prefeitura assume a micareta acabando com o “livro de ouro”, em 1973 o prefeito José Falcão trás para a micareta do centenário Jece Valadão e outros famosos do cinema e do teatro, em 1974 os trios Dodô&Osmar e Caetanave “fazem o folião feirense de despedaçar”.
BAILE DOS ARTISTAS
A década marca o auge do “Baile dos Artistas” reunindo gente do meio artístico-cultural que antecipa em um dia o inicio da festa. Decorado com o brilho das lantejouras e paetês, e animado pelas bandinhas de Lino D’Anunciação e do maestro Miro, a cada ano uma artista era eleita rainha. Entre elas Antonia Veloso (atriz), Ednalva Santana (cantora), Rosa Maria (repórter fotográfica), Hildete Galeão (artística plástica). Em 1978 os jornalistas antecipam em mais um dia a micareta colocando na avenida, na noite de quinta-feira, com rei e rainha, o Bloco Zero Hora.
ELEIÇÃO DE RAINHA
Nos anos 70 alguns concursos para a escolha da rainha são inesquecíveis. Na disputa de 1977, vencida por Emilia Oliveira, a cantora Emilinha Borba após presidir o concurso canta com o público, sucessos como “Mulata bossa nova”, de 1965. Já em 1979, foi no Paço Municipal de tantos eventos que o concurso foi realizado. Anunciada a escolha de Suzete Galeão, no salão nobre com confetes e serpentinas, jovens e adultos cantam numa só voz: “A Estrela D’Alva no céu desponta, e a lua ainda tonta com tamanho esplendor. E as pastorinhas pra consolo da lua, Vão cantam do pelas ruas, Lindos versos de amor...
A DÉCADA DE 80
Começa o fim dos carros alegóricos, mas as escolas de samba ainda resistem. Entre elas a “Escravos do Oriente” que “Mãe Socorro” traz da Rua Nova para duelar na avenida com a “Marques de Sapucaí”, formada por homens e mulheres de Baraúnas. Entre as duas, com a mesma resistência, a “Independentes de Padre Ovídio”.
MORTALHAS COLORIDAS
A micareta passa a contar com um numero maior de blocos, ainda exibindo as coloridas mortalhas surgidas na década passada. Nesse mesmo período aparecem os primeiros blocos com trio elétrico próprio substituindo a tradicional bandinha. Quem não se lembra o quanto era disputado o bloco “Nacional”, ou o trio do Mendonça?...
A ÚLTIMA DECADA
A transferência do sitio da festa para a Avenida Presidente Dutra com parte de sua extensão tomada por camarotes foi a novidade maior na ultima década do século 20. Destaque também para a “onda” dos abadás, que comercializados com custo alto, pois sem os mesmos quase não se tem acesso ao sitio, termina motivando o surgimento do chamado folião “pipoca”.
TÚNEL DO TEMPO
Atriz e jurada do programa “Buzina do Chacrinha”, Elke Maravilha veio curtir em 1973 a micareta do centenário. No “Baile dos Artistas”, uma personalidade da alta sociedade feirense diz que ao final da festa levaria a atriz para curtir a piscina de sua mansão. Elke, depois de mais uma dose do “escocês legitimo e honesto”, não vacila:
- Olha meu bem, quando o dia clarear tudo quem quero é uma bicicleta para pedalar pelas ruas desta cidade bonita e sem ladeiras...
Fonte: Adilson Simas - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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