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A Chegada de ACM ao Inferno PDF Imprimir E-mail
Literatura de Feira - Cordel
Escrito por Nivaldo Cruz   
Dom, 07 de Março de 2010 16:39

por_Luiz_Natividade

 

Como amante da Cultura Popular, e nesse caso, da literatura de Cordel, Nivaldo resolveu fazer uma paródia em cima de um dos grande títulos dessa arte, que é “ A Chegada de Lampião Ao Inferno”. Para isso precisa de uma personagem que tivesse um interesse popular tal qual Lampião.  Assim nasceu a chegada ACM ao inferno.

 

Nivaldo Cruz – 23.07.2007

 

Era zuada, rebuliço,

Quiprocó, correria,

Era baderna, vexame,

Debandada, estería,

Desmantelo, agonia,

Zum zum zum e quebraria.

 

Tudo isso aconteceu

Com a notícia chegada,

Tava vindo a criatura

Mais temida e desgraçada,

Era esse o motivo

De pânico da diabada.

 

Nunca se viu coisa igual

Por toda aquela região

Nem mesmo no dia

Que chegou Lampião.

Dessa vez tava com medo

Até mesmo o próprio Cão.

 

A fama do dito cabôco,

O talzinho chegante

Vinha de longe e era

Muito do importante.

Tudo que num presta

Reunia o ficante.

 

Quando a notícia

Do passamento chegou

Foi tamanha a surpresa

Que todos ali tomou,

Sem ter uma saída breve

Tudo se desesperou.

 

Num ia durar mais tempo?

Num foi o que prometeu,

O próprio satanás?

O que aconteceu?

Me respondam por favor,

Agora que faço eu?

 

Desesperado um diabo

Bem velho gritou

Sem saber o que fazer

Diante de tal horror

O medo tomava conta

De todo morador.

 

Nem o Cão sabia

O que tinha acontecido,

Ele próprio cuidava

Daquele ser encardido

Pra não correr o risco

De ser por ele vencido.

 

Mas por descuido

E arte do pecado

Por um deslizezinho

Ele se fez atarefado

O dito morreu e vem,

Buscar o seu reinado

 

Um diabo bem vestido

Parecendo um advogado

Gritou logo de uma vez,

Eu num fico encangado

Se ele ta pensando que é lá

Ta é muito enganado.

 

Outro também gritou,

Nessa disputa de poder

Quero ver muito bem

Quem vai ganhar ou perder

É maldade e malvadeza

Isso aqui vai é tremer.

 

Era acusação que vinha

De tudo que era lado,

Cão correndo depressa

Fungando, esbaforado,

Ninguém queria está ali

Na chegada do danado.

 

Fazer o que ?

Ninguém sabia

Ir pra onde?

Como é que seria ?

O dia ia virar noite

E a noite virar dia.

 

O ministério do inferno

Convocou uma reunião

Pra que dali saísse

Rápido uma solução,

Teve muita idéia,

Mais nenhuma união.

 

Foi sujerido que

Fosse um embaixador

Até os domínios do céu

Pra pedir a nosso senhor

Que com a sua clemência

Lutasse a seu favor.

 

Em contra partida

Iam lhe prometer

Nunca mais fazer maldade

E a Deus obedecer.

Mas o dito pra bem longe

Cristo tinha que remeter.

 

Redigiram a tal carta

O embaixador lá se foi

Mas São Pedro precavido

Não lhe deu nem um oi

E botou pra correr

O diabo Tapazôi.

 

Voltando a estaca zero

E agora o que fazer?

Ou lutar até a morte,

Ou viver para morrer!

Gritava os cãos jovens

Sem o perigo conhecer.

 

Satanás vendo tudo,

Decidiu então

Usar de sua astúcia

Tomar uma posição

E propor ao dito

Uma negociação.

 

Parte do inferno

Ele, o dito comandava ,

A outra parte com

O diabo ficava,

Assim tudo se resolvia

Era o que o pobre achava.

 

Nesse instante

Um só grito se ouviu

Era uma grande tristeza

Coisa igual nunca existiu

Os diabos todos gritando,

Um desespero febril.

 

Todos estavam

Em estado treme treme

Nem mais agüentavam

Era só geme geme

Quando pisou na entrada

Do inferno ACM.

 

Satanás, Veio receber

Tava branco que nem vela,

A voz nem saiu,

Ficou foi no mei da guela,

O pobre tava todo cagado,

Sofreu uma super derrela.

 

Quem mandava aqui?

Esbravejou o chegante

Dando o pisão no pé

Do Satanás ofegante

E dando tapa na cara

De um diabo passante.

 

Outro diabo veio

Com ele falar

Recebeu uma bordoada

Foi sentir e se mijar,

Foi chegando e já mostrando

Quem ia mandar no lugar.

 

Enquanto isso um grande

Êxodo aconteceu

Era diabo fugindo

Levando o q´era seu

Foi grande o debandada

Assim se assucedeu.

 

ACM então foi

Assumir o poder

Tinha lá uns que

Não puderam correr

Ficaram sendo escravos,

Vivendo no padecer.

 

Vagando pelo mundo

Satanás ta exilado

Não pode mais voltar

Tomaram o seu reinado

Cabe a ele só esperar

Viver amargurado.

 

No palácio do inferno

ACM é coroado

Vindo a ser o dono

Do poder excomungado,

Fazendo mudanças

Piorando o piorado.

 

Aquilo lá tá vazio

Parece até um deserto,

Tem uns poucos vivos,

Dois mil num chega nem perto,

Mas nas propaganda tá lá

O inferno no caminho certo.

 

Fonte: Blog a Arte do meu Povo

 
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