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Foto: Paulo Santana

Trilogia do reggae, viva e resistente.
O projeto cultural “Trilogia do Reggae” reúne três expoentes do reggae feirense quepercorreram vários locais e agora se unem para contar, através da musicalidade, histórias paralelas que desaguam em um lugar comum: a defesa da cultura da paz e a incansável busca pela igualdade social. Os apelos de suas manifestações ganham eco durante a Noite de Reggae, que vai agitar o bairro Rua Nova no próximo sábado (19/12), a partir das 19 horas.
Assim surgiu o trio formado por Dionorina, Gilsan e Jorge de Angélica que, além da predileção pelo reggae também têm em comum as origens na Rua Nova, maior gueto das manifestações culturais de raízes afro em Feira de Santana.
De gerações amadurecidas durante as transformações sociais do país, os três reggaemen propagaram o grito de defesa dos excluídos para o Brasil e o mundo, com a visão peculiar de cada um, através da musicalidade que transmite protestos, paixões e ideologias, dosados com muito ritmo e ginga.
Visando o resgate do ritmo musical de raízes profundas nos guetos periféricos da cidade, o movimento cultural “Trilogia do Reggae” surgiu por iniciativa de Selma Soares de Oliveira, diretora do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e ganhou força sob a coordenação do
jornalista Geraldo Lima.
Quem é quem:
Dionorina - Há muito já passou dos “36 anos na estrada da vida”, conforme ele próprio costuma dizer, experimentou a carreira profissional pela primeira vez em 1973, cantando música afro-brasileira. Mas foi com “Porrada de Polícia”, uma feliz parceria com o jornalista e compositor Jorge Magalhães, que o artista feirense ganhou projeção
nacional e conquistou o Troféu Caymmi, em 1993, na categoria de “Melhor Música”. Este prêmio abriu as portas para a gravação de seu primeiro CD, intitulado “Música de Rua”, um passou importante para o surgimento de novos sucessos, hoje já ouvidos e difundidos pelo Brasil a fora, e até na Europa.
Mas para quem está acostumado com o reggaeman Dionorina, antes de se consagrar neste ritmo musical, Tonho Dionorina, como era conhecido, chegou a cantar música afro black, inclusive dos anos 70. Justamente por isso, não se surpreenda se em seu repertório musical, de uma hora para outra, forem incluídas músicas até mesmo de
Villa-Lobo, o que reflete sua ampla versatilidade e universalidade musical.
Hoje mais presente em Feira de Santana, com os filhos já seguindo seus próprios caminhos, Dionorina carrega na bagagem a presença freqüente em festivais na Europa, com shows na Itália, Portugal, Ilha Madeira, Suíça, Amsterdã e muitos outros países.
Jorge de Angélica - Aos 52 anos, ele começou a viver da música aos 20 anos. E de lá para cá já se somam três décadas desde que experimentou profissionalmente o palco pela primeira vez. Desde então, cantou sucessos como “Bahia Negra”, “Lindos Sonhos”, “Gangue Perseguindo Gangue” e “Sopa de Papelão”.
Desde o início da carreira, Jorge de Angélica vem se adaptando ao seu tempo, ao ambiente e às diversidades da musicalidade, como um verdadeiro “camaleão”. Assim passeou da fase do samba com timbau até migrar para o afoxé, quando fundou o “Pomba de Malê”.
Veterano neste ritmo musical, Jorge de Angélica começou a produzir reggae no início da década de 80, quando conquistou o primeiro lugar em festival de música promovido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). Ironicamente,
o festival produzido pelo também reggaeman e hoje parceiro na “Trilogia do Reggae”, Dionorina, além de Ibernon Dantas.
Neste reencontro das feras do reggae de origem na Rua Nova, Jorge de Angélica comemora o fortalecimento do movimento. “O reggae só tem a ganhar com este movimento, fruto da harmonia e defesa da cultura da paz”, frisou.
Gilsam - De geração mais nova, Gilsam simboliza fisicamente a renovação do reggae, onde milita há duas décadas, período durante o qual visitou os palcos sempre impulsionado pelas músicas de sucesso que marcaram as carreiras de músicos que o inspiraram. No repertório os destaques para “Garotos de Rua”, “Marginais” e “Amor
Imaginário”, dentre outras.
A exemplo de muitos artistas, Gilsam também experimentou outros ritmos musicais, até se “encontrar” no palco como reggaeman. Começou a carreira com música regional, explorando preferencialmente temas relacionados ao homem sertanejo, questões sociais, a exemplo do afro-nordestino, até experimentar o reggae, a convite de Jorge
de Angélica, quando ingressou no “Pomba de Malê”.
A partir daí, Gilsam passou a ter uma visão mais abrangente do que considerou seu “pertencimento ao reggae”.
E na essência da sua musicalidade, busca estimular a paz, tão vislumbrada principalmente no bairro Rua Nova. “Este é um momento extremamente importante haja visto a estereotipação daqueles desprovidos de tudo. E nosso movimento se faz necessário para denunciar estas mazelas sociais”, frisou.
Fonte: Secom
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