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UMA ELEIÇÃO DE SÍMBOLOS PDF Imprimir E-mail
Literatura de Feira - Artigos
Ter, 25 de Maio de 2010 16:34

 

eleicoes

No nosso horizonte político, não podemos esperar nenhuma mudança brusca de rumos qualquer que seja o candidato eleito. Mas temos uma novidade que se não é novidade política, podemos pensar como novidade simbólica: duas candidatas com possibilidades de boas votações.

A eleição de um metalúrgico com um histórico progressista foi uma lenta e sofrida construção, contra todo o tipo de preconceito levantado pelas elites arrogantes do nosso país. Para sermos honestos, não houve as mudanças esperadas por parte da sociedade que o elegeu, mas a sua capacidade de governo não está sendo questionada praticamente por ninguém. Mais do que um presidente e um programa de governo, ajudamos a eleger um símbolo. Símbolo da igualdade e da possibilidade de um operário governar a nação.

O surpreendente de tudo isso é que as regras da governabilidade já estavam dadas e não imaginávamos. Ou, pelo menos, não imaginávamos que seriam aceitas tão facilmente. O governo de um operário não significou grandes avanços estruturais, legais e ideológicos. Pelo contrário, nem mesmo a classe operária recebeu dividendos reais do governo de seu representante. Mesmo assim, a popularidade do presidente chegou a patamar recorde na história, o que atesta, por assim dizer, sua capacidade de gestão.

Lamentavelmente, os movimentos populares e as ações políticas da sociedade civil, ou ficaram paralisadas ou retrocederam durante o seu período de governo. Mesmo assim, a estabilidade econômica (inesperada), as políticas compensatórias, a vigilância sobre a moeda, a política desenvolvimentista (apesar dos riscos ambientais) garantiram para os mais pobres uma situação mais estável do que antes. Podemos classificar como louvável a sua política externa, de aliança com os países emergentes, que reduziu o risco diante das grandes crises mundiais, embora o seu apoio interessado à produção de energia nuclear seja bastante duvidoso.

Portanto, todos os sinais são de que o próximo governo será de continuidade. A população apoiou irrestritamente os caminhos escolhidos. Os candidatos atuais, especialmente os com chance de ganhar, não prometerão nada diferente do que temos, talvez somente com as retóricas de melhoria na saúde e na educação, sem vontade política ou orçamentária para tal.

Resta-nos, por conseguinte, a questão dos símbolos. Chances de elegermos pela primeira vez uma mulher e sabemos o que isso significa para a luta por equidade das mulheres. Não ousamos esperar muito mais do que isso. Mas, quem sabe? as mulheres e a história são muito criativas.

 

*Marcos Monteiro é assessor de pesquisa do CEPESC. Mestre em Filosofia, faz parte do colégio pastoral da Comunidade de Jesus em Feira de Santana, BA. Também é coordenador do Portal da Vida e faz parte das diretorias do Centro de Ética Social Martin Luther King e da Fraternidade Teológica Latino-Americana do Brasil

CEPESC – Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão. E-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Fone: (71) 3266-0055. Veja esse texto também no blog www.informativo-portal.blogspot.com
 
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