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Literatura de Feira - Artigos
Seg, 28 de Junho de 2010 17:34

fobica

De uns anos pra cá se tornou comum a perda de certas tradições da Micareta de Feira de Santana. Andei me lembrando de como essa festa já foi mais bonita e com o passar do tempo parece que andou decaindo.

Uma das tradições a que me refiro é o apoteótico desfile. Sim, era assim que se chamava a passagem das autoridades momescas. Era comum se ouvir alguém dizer: "hoje eu vou assistir o desfile". Tínhamos as famosas batucadas, os afoxés, os cordões - a exemplo  do glorioso Ali Babá -, as escolas de samba como a Escravos do Oriente, de Mamãe Socorro, Juventude do Samba, Malandros do Morro, Unidos de Padre Ovídio, e a minha querida Marquês de Sapucaí, a qual tive a honra de ser passista por duas vezes.

É verdade que algumas ainda existem e outras não. Mas tem uma coisa que eu não me esqueço de jeito algum: os carros alegóricos que davam um charme e um brilho diferentes à festa. Era neles que desfilavam as majestades da festa. Faz tempo que não vemos mais isto. Aliás, os carros alegóricos nem são mais lembrados pelos organizadores da festa - leia-se os secretários Maurício Carvalho e Alcione Cedraz, ex e atual secretário de Cultura, Esporte e Lazer.

 

E como a festa perdeu em tradição! A começar pela péssima idéia do Sr. Clailton Mascarenhas, juntamente com o invisível Conselho Municipal de Festejos Populares, que mudou o período da festa para quinta a domingo, o que representou para mim um golpe. E o grande desfile foi jogado para um local denominado "Quilombola", numa atitude que mais parece espécie de "diáspora da negritude feirense".

 

E fico a me perguntar: que sentido ainda existe em ser um rei momo, rainha ou princesa da Micareta, já que justamente eles nem sequer têm um trono próprio? Justo eles que são chamados de mesjestades! Que sentido há em dar a chave da cidade ao rei momo para que o mesmo comande a festa? É, no mínimo, um equívoco, para não dizer deboche. E, pior ainda, é mandá-los para cima de um trio elétrico onde passam despercebidos na avenida. Será que o que faltou a esses pseudos organizadores foi conhecimento de causa ou foi má vontade mesmo?

 

Confesso que sou um verdadeiro amante da Micareta e que justamente por isso não agüento mais conviver com a inércia dos que dela se apoderaram. Faço referência principalmente ao período entre 2002 e 2008, quando os mandatários da festa não ouviram ninguém. Eles apenas julgaram-se os donos da verdade e a Micareta que se danasse!

 

Volto a dizer que com arte não se brinca! Se tiver alguém que não goste da Micareta, por favor, saia já!. Só não queiram destruir o que é alheio. Exijo que me devolvam minhas batucadas, meus afoxés, minhas escolas de samba e, é claro, meu carro alegórico. A quem interessar possa.

"Ratos e urubus, devolvam a minha festa". E viva Joãozinho Trinta!

 

* Edilson Veloso é professor de educação física, radialista e pesquisador de música.

 

Fonte: Aqui Bahia

 

 

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