| O MUNDO DE PAULO FREIRE É P0SSÍVEL EM JAGUAQUARA |
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| Literatura de Feira - Artigos | |||
| Ter, 20 de Julho de 2010 12:43 | |||
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Quando Paulo Freire falava de inéditos viáveis, utopias possíveis, e traduzia tudo isso através da frase simples e encantadora sobre a construção de “um mundo em que fosse menos difícil amar”, colocava como projeto educativo esse irrisório menos. Sempre haverá dificuldades para o amor, mas as estruturas poderiam pelo menos não serem tão perversas em suas exigências nem tão arrogantes em sua prepotência. E o poder amar e poder sofrer pelo e para o amor poderia ter um pouco mais de espaço na administração e organização do poder.
A ERTE, Escola Estadual Rural Taylor-Egídio, na cidade de Jaguaquara, Bahia, constitui-se como reserva de esperança sobre o legado pedagógico de Paulo Freire. Mais de quatrocentas crianças pobres da zona rural são educadas de acordo com princípios freirianos em processo de alternância: um mês vivido na escola e o outro na família, com acompanhamento pedagógico para realização de tarefas agrícolas e escolares. A festa de encerramento do semestre escolar, no sábado passado, no desenvolvimento da agenda, na mistura de balé, quadrilha junina, violão, sanfona, oficinas para pais e alunos, que iam de artesanato a agricultura familiar, com grande participação de pais da zona rural e figuras da cidade, pode ser considerada uma pequena amostra desse mundo viável. No próximo ano a escola completa dez anos e a diretora, Sonilda Sampaio, consegue tanto encarnar as idéias de Paulo Freire quanto conduzir uma equipe por caminhos de conscientização que ultrapassem leituras ingênuas e mágicas da realidade e faça a leitura crítica do mundo, indispensável à inserção pedagógica. Mais do que isso, a opção radical, no sentido mais pleno da palavra, tem se tornado gradativamente a marca de grande parte da equipe, lembrando que em Paulo Freire uma radicalidade necessária é o oposto de um desnecessário processo de sectarização. Dentro de uma pedagogia do oprimido, educadores e educandos necessitam juntos trocar saberes e organizarem o espaço de comunhão, em que a fé, o amor e a esperança, são parte do processo. Fé no processo de transformação, amor entre educandos e educadores e esperança de que a festa e a poesia derrotem a dor e a opressão.
*Marcos Monteiro é assessor de pesquisa do CEPESC. Mestre em Filosofia, faz parte do colégio pastoral da Comunidade de Jesus em Feira de Santana, BA. Também é coordenador do Portal da Vida e faz parte das diretorias do Centro de Ética Social Martin Luther King e da Fraternidade Teológica Latino-Americana do Brasil CEPESC – Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão. E-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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