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DA TEORIA GAIA AO BUJÃO DE GÁS PDF Imprimir E-mail
Literatura de Feira - Artigos
Sex, 18 de Junho de 2010 08:27

 

Marcos Monteiro*

 

O apoio do Brasil ao Irã, em suas reivindicações nucleares, traz à tona a questão do planeta e sua sobrevida energética. Restrições ao uso de energia nuclear para fins pacíficos, talvez seja uma questão ética urgente (há discussões científicas a serem levadas em conta), mas a paralisação da construção de bombas nucleares é de uma urgência indiscutível.

Um dos grandes problemas é que quem propõe as restrições já domina e usa a energia e toda nação que dominou a tecnologia energética construiu a sua própria bomba. Ou seja, as proibições são para os outros.

O problema energético, por outro lado, não se resume à questão nuclear, faz parte da temática de sobrevivência do planeta, o qual seria um grande sistema auto-regulador, conforme a Teoria Gaia, de James Lovelock, submetido a um excessivo estresse, especialmente pelo uso do combustível fóssil e pela superpopulação planetária.

Sem defender o uso indiscriminado e aquiescendo com o argumento que o prolongamento e ampliação da utilização de energia atômica para fins pacíficos pode trazer dificuldades graves, precisamos admitir que problemas de lixo, resíduo, contaminação e acidentes, são gerados pelo petróleo que consumimos em uma grandeza surpreendente. E isso debaixo do nariz e do silêncio da luta ambientalista.

Se, no âmbito da energia, o petróleo é, ao mesmo tempo, a solução e o problema (ou seja, a humanidade colocou para si mesma problemas que não pode resolver), tornou-se estrutura onipresente no cotidiano das pessoas, devido a aperfeiçoamentos tecnológicos. Dizendo de forma simbólica: Todo cidadão do planeta tem direito ao butijão de gás e à matéria plástica. Aliás, a descoberta do século é que o planeta tornou-se de plástico e que o plástico não é nada plástico.

Mais cedo ou mais tarde, as decisões planetárias afetarão o cotidiano, desde que política se constitui como conjunto de decisões sobre a vida, a partir de múltiplos interesses.

Nessa migração do universal para o particular, do macro para o micro, do internacional para o individual, do planeta para o mocambo, vista a velocidade tecnológica, estaremos decidindo um dia, sob a desculpa da violência urbana, sobre o livre acesso de todos os cidadãos à peixeira laser e à pistolinha atômica.

 

*Marcos Monteiro é assessor de pesquisa do CEPESC. Mestre em Filosofia, faz parte do colégio pastoral da Comunidade de Jesus em Feira de Santana, BA. Também é coordenador do Portal da Vida e faz parte das diretorias do Centro de Ética Social Martin Luther King e da Fraternidade Teológica Latino-Americana do Brasil

CEPESC – Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão. E-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Fone: (71) 3266-0055. Veja esse texto também no blog www.informativo-portal.blogspot.com
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