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Literatura de Feira - Artigos
Qua, 11 de Agosto de 2010 17:49

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Alguns dos cantores de um só sucesso

Parte I 

 

Lembro-me que no último texto postado, abordamos que o sucesso num festival nem sempre representa estrelato por muito tempo. E hoje venho ratificar. Se retroagirmos, encontraremos vários exemplos de cantores e bandas que emplacaram um só sucesso e simplesmente sumiram de cena. É verdade que alguns desses emplacaram até três músicas e sumiram do mapa musical brasileiro.

Na maioria dos casos veremos os rotulados "Cantores de uma música só". É bom que se diga que neste quesito houve casos em vários estilos: MPB, Pop/Rock, Popular e até no Axé Music. Nesta primeira parte vou citar artistas do estilo MPB e popular. E nada como começar pelo saudoso João Só (bem sugestivo). Ele gravou "Menina da ladeira" e desceu para o anonimato. A baiana Sylvia Patrícia gravou uma versão chamada "Marcas de amor não sai" e saiu de cena. O bom letrista e médico Dalto fez muito sucesso com "Muito estranho" e, estranhamente, não deu mais as caras. Quem não lembra da linda balada "Menina", tão bem cantada por Paulinho Nogueira? Pois é, a menina virou mulher e ele sumiu. Hermes de Aquino foi a verdadeira "Nuvem passageira". O cantor Gilson brilhou com "Casinha branca" e nada mais. Já Gilson de Souza emplacou “Pôxa” e só. O cantor Rigaud estourou na década de 80 com "De corpo inteiro". E o que dizer da global Angélica com a sua "Vou de táxi"? Parece que o veículo nem existe mais. O bom cantor Tunnay interpretou um das mais belas canções que eu já ouvi: "Frisson" fez muita gente amar, chorar e se apaixonar. (essa eu recomendo). O também já falecido Sergio Sampaio emplacou a divina "Eu quero é botar meu bloco na rua" e seu carnaval logo foi desfeito para sempre. Outra grande canção foi "Linha do horizonte" do Azymuth. Esse grupo tornou-se tão abstrato como a própria linha. E assim é o sucesso: às vezes duradouro, às vezes passageiro. Mas uma coisa é certa: apesar de terem emplacado apenas uma música, temos que reconhecer que todas supracitadas são inesquecíveis. Em breve teremos mais sobre esse assunto. Até a próxima.

 

Parte II

 

Dando sequência ao tema acima citado, trago agora nomes que fizeram o bom Rock/Pop brasileiro. Boa parte desses nomes surgiram na década de 80, numa explosão nunca vista antes no país, no tocante a esse estilo musical. Foram canções abordando temas diversificados. Amor, protesto, lamentos e coisas engraçadas. Lembro do grupo Espírito da Coisa, que fez sucesso com a hilária "Ligeiramente grávida". Este grupo logo foi desfeito. O vocalista foi assassinado a facadas. O Hanói-Hanói era uma grande promessa. Emplacou a inesquecível "Totalmente demais" que tocou e ainda toca muito. Ainda gravou a linda "O tempo não pára", do genial Cazuza, em parceria com Arnaldo Brandão. Além dessa, teve também "Nem Sansão, nem Dalila". Outra que prometia era a banda Heróis da Resistência. Esta foi formada por Leone - dissidente do Kid Abelha - e do baterista Galli, ex-Hanói-Hanói. Gravaram boas canções, mas só duas ficaram na memória da gente: "Só pro meu prazer" e "Dublê de corpo". Por onde andam os "Inimigos do Rei"? Será que ainda estão a procura da barata Kafka? Essa era a personagem que fez o grupo ficar conhecido. "Uma barata chamada Kafka". Fora esta, teve apenas "Adelaide". Fausto Fawcett foi mais um que sumiu. Ele só emplacou Kátia Flávia, que ficou conhecida como a melô da calcinha. Quem também dava sinais que ficaria foi o Placa Luminosa. Eles vinham se dando bem com a música "Fica comigo", que entrou na trilha da novela Top Model. Mas, foi só. Quem não lembra de Sérgio Malandro? Tentou ser cantor a qualquer custo mas ficou apenas no "Vem fazer gluglu". Tivemos um grupo chamado Bombom, que saiu com o hit "Vamos a la playa". Pelo visto, foram e se perderam por lá. Quem também emplacou música em novela foi Vange Leonel com a sua "Noite preta", tema de abertura da novela Vamp. Quem dá notícias de Kid Vinil? Ele liderou a engraçada banda Magazine. Com a banda, apenas dois sucessos: "Sou boy" e "Tic nervoso". O grupo Zero fez fez nome com a canção "Agora sei", que teve a participação de Paulo Ricardo, ex-RPM. Mas, foi só isso. Adicione a todos estes nomes, "Dr. Sylavana e Cia., Uns e Outros, Débora Blando e Virgulóides. E, finalizando essa terceira parte sobre o tema, abro um espaço para citar atores que tentaram a carreira de cantor, mas que se deram mal: Francisco Cuoco e a sua melancólica "Soleado". Elizangela com "Pertinho de você". E a pior de todas: Mário Gomes com o seu "Chiclete Cabouchard". Esses aí, como cantores foram bons atores. Na última parte abordarei cantores e bandas de Axé que passaram pelo mesmo processo de fazer sucesso com uma música apenas. Até lá!

 

* Edilson Veloso é professor de Educação Física, radialista e pesquisador de música.

 

Fonte: Aqui Bahia

 

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