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AS PERGUNTAS DAS PERIFERIAS PDF Imprimir E-mail
Literatura de Feira - Artigos
Seg, 17 de Maio de 2010 00:56

O Haiti tornou-se notícia constante em todo o mundo pelo terremoto que o atingiu, do mesmo modo que a Grécia agora ocupa todos os meios de divulgação pelos conflitos sociais que propugna. O Haiti, em si mesmo, é um verdadeiro terremoto histórico, econômico, político e social, mas a Grécia, integrada à sólida economia européia, com um produto interno bruto, pelo menos dez vezes maior, nos leva a pensar o porque das periferias tornarem-se notícia.

A palavra “periferia” é grega, como é grega grande parte do nosso vocabulário. Na Grécia atual é o nome dado às divisões políticas equivalentes aos nossos estados. Sociologicamente, como categoria de classificação geográfica e política, se contrapõe à noção de centro, embora os centros e as periferias do mundo atual já não apresentem contornos tão nítidos.

Na União Européia a Grécia seria claramente um desses países considerados periféricos, com uma política e uma economia necessitada de sérios ajustes. Mas todas as periferias, tanto as haitianas quanto as gregas, nos trazem perguntas incômodas, escondidas debaixo do tapete da história e dos grandes interesses macro-econômicos.

Se a primeira pergunta é o porque do berço da civilização ocidental ter se tornado uma pequena nação periférica, pelo menos na Europa, a questão vital seria se os grandes problemas da humanidade são os desajustes das periferias ou os ajustes dos centros.

Diante da crise econômica mundial, os principais países do mundo, países de centro, tomaram medidas que ajudaram a recolocar rumos nas suas combalidas economias. Um olhar atento nos mostra que os mesmos problemas que a Grécia enfrenta faz parte do cardápio de todas as nações, grandes ou pequenas. O problema, portanto, seria sistêmico, estrutural, e reajustes econômicos em lugares centrais trariam inevitavelmente desajustes nas periferias.

O problema é ainda maior porque todas as nações têm a sua Grécia e o seu Haiti. Desemprego, déficit público, ameaças monetárias, conflitos sociais, pobreza, estão presentes em todos os lugares, com maiores ou menores implicações.

Nesses momentos, é melhor tirar os olhos do todo e concentrar-se nas partes. Isso para não ter que admitir que o grande terremoto e o grande desajuste é o sistema econômico e político mundial. Ou, dizendo de outra forma, para não ter de cantar com a música popular brasileira e baiana que o Haiti é aqui, acrescentando uma nova estrofe: a Grécia é aqui.

 

*Marcos Monteiro é assessor de pesquisa do CEPESC. Mestre em Filosofia, faz parte do colégio pastoral da Comunidade de Jesus em Feira de Santana, BA. Também é coordenador do Portal da Vida e faz parte das diretorias do Centro de Ética Social Martin Luther King e da Fraternidade Teológica Latino-Americana do Brasil

CEPESC – Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão. E-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Fone: (71) 3266-0055. Veja esse texto também no blog www.informativo-portal.blogspot.com

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