| A Música Popular Brasileira e os festivais |
|
|
|
| Literatura de Feira - Artigos | |||
| Qua, 01 de Setembro de 2010 11:09 | |||
|
Gilberto Gil e Caetano veloso Festival da Tv Record
A palavra "Festival" vem de festa, celebração. Onde pode haver entretenimento, dança, música e outros. Vários festivais já foram realizados no Brasil. São tantos que nem daria para falar de todos. Mas teve aqueles que não sairão da memória das pessoas. Eram torcidas organizadas, caravanas e, o principal, a música favorita na ponta da língua. Músicas que falavam de amor, de celebração da vida e do cotidiano em si. Foi através de festivais que muitos artistas consagraram-se.
Nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Elis Regina, Djavan, Sandra de Sá, Eduardo Dusek e até mesmo o rei Roberto Carlos. Foi também nos festivais que muitos artistas se conheceram. Um exemplo é Djavan. Ele conheceu Caetano Veloso e Chico Buarque no Festival Abertura em 1975, quando ele defendeu a canção "Fato Consumado". E muitos de nós também passamos a conhecer alguns deles através dessas disputas. Eu, por exemplo, não conhecia Oswaldo Montenegro, Raimundo Sodré (baiano de Ipirá que ficou em terceiro lugar com a música "A massa", composição dele e de Jorge Portugal), Sandra de Sá (na época era apenas Sandra Sá), Amelinha, o saudoso Jessé e Eduardo Dusek. Mas o sucesso em um festival nem sempre significa garantia de estrelato por muito tempo. Houve aqueles que simplesmente sumiram. Um grande exemplo é a fenomenal Tetê Espíndola que em 1985 ganhou o Festival dos Festivais com a bela canção "Escrito nas estrelas" (Arnaldo Black/Carlos Rennó) e pouco mais de um ano depois ninguém mais ouviu falar na mesma. Apesar disso, a música é cantada até hoje. Vale dizer que em muitos casos é a própria mídia que enterra muitos e, diga-se de passagem, bons artistas. Aliás, isto tem sido constante. E, pior ainda, é fazer de muitos sem nenhuma expressividade verdadeiros ases. Astros que nunca foram e nem serão. Sem contar que muitos talentos verdadeiros ficam no anonimato, o que considero um crime. Mas o que me chama mais a atenção na história dos festivais é a injustiça. Em vários deles a música preferida da maioria do público não foi a que venceu. Vejamos alguns exemplos: Em 1967, no II Festival Internacional da Canção, a música "Travessia" (Milton Nascimento/Fernando Brant), defendida por Milton, perdeu para a desconhecida "Margarida" (Gutemberg Guarabyra). Alguém conhece ou lembra desta música? Já em 1968, no festival do mesmo nome, "Pra não dizer que não falei das flores", um verdadeiro hino contra o regime militar (Geraldo Vandré, autor e intérprete), perdeu para "Sabiá" (Chico Buarque/Tom Jobim), ficando em terceiro lugar "Andança" (Danilo Caymmi/Edmundo Souto/Paulinho Tapajós). Esta canção foi interpretada por Beth Carvalho e Golden Boys. Uma coisa chamou a atenção do público presente: o fato de Geraldo Vandré pedir à platéia que não vaiasse Chico Buarque, demonstrando, assim, que aceitava o resultado. E foi enfático ao dizer: "a nossa função é fazer canções e a do júri que ali está é julgar. E, pra vocês que pensam me apoiar vaiando, eu digo que a vida não se resume a festivais". Neste momento os expectadores que vaiavam se renderam ao apelo e passaram a aplaudi-lo. Em 1975, no Festival Abertura, o gênio Djavan Caetano Viana, ou simplesmente Djavan, com a linda "Fato Consumado", perdeu para Carlinhos Vergueiro com a música "Como um Ladrão" (diga-se, bem sugestiva). Mas as maiores polêmicas em festivais viriam nos anos de 1980 e 1981, ambos realizados pela Rede Globo. Em 80, o povo clamava pela linda canção "Foi Deus quem fez você" (Luiz Ramalho, interpretada por Amelinha, na época, esposa de Zé Ramalho). Mas a vencedora foi "Agonia" (Mongol, interpretada por Oswaldo Montenegro). Já em 81, não só houve protestos, como indignação. A ecológica "Planeta água" (Guilherme Arantes, autor e intérprete), perderia o primeiro lugar para "Purpurina" (Jerônimo Jardim, interpretada por Lucinha Lins, que era esposa de Ivan Lins). Nestes dois casos, o público vaiou pra valer. Um misto de protesto e decepção. No caso de Lucinha Lins, ela quase não conseguiu cantar. Foi quando Ivan Lins, seu então marido, num ato de amor e solidariedade, subiu ao palco, abraçando-a e beijando-a. Vale ressaltar - e isto a mídia não divulgou - que a cantora doou o prêmio em dinheiro para a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR). E assim foram alguns festivais. Polêmicos, bons de revelar talentos, significantes e muitas vezes, injustos. E salve os festivais! Os festeiros, os astros, os injustiçados e as platéias. Salve a boa Música Brasileira! Mas, lembre-se: o melhor de todos os festivais é a arte de viver!
* Edilson Veloso é professor de Educação Física, radialista e pesquisador de música.
Fonte: Aqui Bahia
Comentários (0)
Powered by !JoomlaComment 4.0 beta1
!joomlacomment 4.0 Copyright (C) 2009 Compojoom.com . All rights reserved."
|
É com pesar que leio essa notícia, po...
Obrigada por compartilhar dessa caus...
Muito bom o novo livro do weslley poe...
Parabéns pelo site!
Felicidades é o que desejo neste ano ...